14 de dezembro de 2015




Se parasse para ouvir o meu coração, eu não ouvia. Eu chorava. Se parasse para ouvir a minha mente, eu não ouvia. Eu gritava. Sinto-me tão embaraçada no meu próprio cansaço que não sei por que caminho ir, ou se existe algum. Se parasse para escrever, não haviam palavras. Sinto tanto que não quero dizer. Ou então, não sei dizer. Sinto tanto que ninguém tem tempo para ouvir. O relógio nunca acerta no tempo certo ou sou eu que vivo, a todo o momento, no tempo errado. Sei o que sou. Sei o que quero ser. Mas não sei mais Como o Ser. Eu sou forte. Repeti para mim mesma. Eu sou forte. E não parava enquanto não me parecesse verdade. Nunca me pareceu. Sai sempre falso. Soa sempre falso. Uma mentira não pode passar a ser verdade, mesmo que dita mil vezes. Porque a verdade não se apaga, não se embrulha e não se deita fora. Não morre porque tem mais vida que o imortal. Eu não sou forte. Porque o que os outros dizem de mim, magoa-me. Porque não sei fazer melhor e isso magoa-me. Porque eu não me vejo, ninguém me quer ver e isso magoa-me. Porque magoam-me e eu deixo que me magoem. Porque eu oiço, mesmo quando não quero ouvir. Porque eu sinto...o desprezo. O olhar...de não fazer falta. Porque eu não sou como elas. Não quero ser. Mas parece que ser o que sou, é errado. Sou toda errada. E eu sempre vi, sem querer ver. Eu...e a minha mania de insistir que as pessoas sejam um arco-íris.

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