9 de novembro de 2015


Não me lês. Eu sei. Mesmo depois de tantas tentativas, nunca gostaste. De vir cá. De me ler, em vez de ler. De ouvir-me nas palavras que não saem pela voz. Mas eu escrevo-te..não sei até quando. Mas escrevo-te o que gostava de te dizer, mas que não queres saber. Como nunca quiseste e eu nunca vi. Tantas vezes te vi e tu poucas me viste. Tantas te olhei e tu quando olhavas, mal me vias. Eu e a minha mania de não ser transparente cansaram-te. Desculpa, eu também me cansei. Não de ti. Do que construímos: um castelo de palha que parecia pedra. Fomos muito, em pouco tempo. Morremos lentamente, em menos tempo ainda. E não fomos nós. Foram os  feitios: eu, a pessoa emotiva que sente tudo e que deseja mudar o mundo e por sorte o universo inteiro; tu, o senhor dono da racionalidade que encaixa na gaveta os sentimentos alheios. Vês, não fomos nós. E se me lesses, sabia-lo. São os corações distintos que carregamos ao peito, sem escolher. A vida tornou-te no que és e tornou-me a mim no que sou. De ti, gravo os sorrisos que partilhávamos em sintonia e todo o companheirismo que sempre se destacou. Os segredos e a confiança. O crescimento e a história que criamos. É tudo nosso, para todo o sempre. Mas afinal será tudo só meu, porque só eu sou capaz de te falar. Mesmo quando falo sozinha.

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