7 de novembro de 2015


Ele deu conta que te estava a perder. Deu sim, vezes sem conta. Assim como deu conta que enquanto te perdia, tu ganhavas vontade de te encontrar, fora dele. Ele deu conta. E tu tinhas vontade. Mas a vontade nem sempre chega, mesmo quando temos a certeza de que queremos ir. O caminho é incerto, muitas vezes escuro. Como se do outro lado estivesse um mundo, dividido por uma muralha em que tu não vês. E por não veres, tens medo. De não saber o que vais encontrar. Mais medo ainda por não saberes quem és, fora e longe dele. Deixa-me escrever-te, para que as palavras fiquem guardadas e as possas lembrar quando te esqueceres: és muito mais do que isso e vais descobrir. Aos poucos e com muita dor. Vais querer falar com ele e vais ter de resistir. Não sei como, mas eu sei que encontrarás alguma forma de o fazer. Vais sentir saudades deles, do quão ele te fazia rir, mas...vais sentir falta de todas as vezes em que ele ignorava o quanto estavas triste? Ou da falta de tempo dele? Ou dos esquecimentos convenientes? Ou do quanto ele te queria só para ele, sem saber te ter? Sei que não vais encontrá-lo do outro lado, mas sei que vais encontrar-te. E enquanto te encontras, conheceste. A forma como és capaz de sorrir, sem querer. A força que tens quando ninguém ta devolve. A paz que crias quando o céu se torna cinzento. E o amor, que está em todos os cantos, enquanto procuravas amor num canto que tinha secado. E ele sabe, tão bem que até lhe custa dizer, que te estava a perder. Não só para alguém, mas para a vida, que deixaste de ver depois de acreditar que a vida poderia encarnar numa pessoa. Deixa-te chorar quando o coração gritar. Mas não deixes de escrever quando a alma doer...e o vazio parecer tão fundo sem fundo. Procura-te, antes de o tentares encontrar e elimina-o, por todas as vezes em que estiveste na última opção como sentias. Um detalhe, não faz uma pessoa ser o que é. Quantas vezes tentaste encontrá-lo numa pessoa que não é?

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