28 de outubro de 2015

pai, pai


Pai, se pudesse atirava-te para o fundo do poço e apanhava-te antes de lá chegares. Porque pai, não sou capaz de te destruír mesmo tendo consciência que me destruíste e que a doença te destruiu a ti. E no meio da raiva que eu não sei explicar e da tristeza que nunca passará, eu não sei que sentimento te devolver porque não sei o que é correto sentir por ti. Eu sei que não és feliz quando olhas para trás e te apercebeste do que fizeste, porque a doença te fez. Eu sei que não és feliz quando olhas, todos os dias à tua volta e não tens ninguém e aí sofres, em silêncio mas num choro profundo pela solidão em que se transformou a tua vida. Pai, não sei se a minha alma te perdoa, mas na vida eu dou-te o meu perdão e sei que a minha presença tão ausente te magoa, mas eu não sei dar-te mais pelo motivo de sentir tanto. Quero tirar-te tudo aquilo que me tiraste e quero-te dar tudo aquilo que gostava de receber.
Pai, não sei se és feliz. Se te arrependes. Se vives a sentir saudades minhas e muita falta da mãe. Não sei o que trazes no coração, mas quero deixar escrito que eu te trago, no meu: no coração que ficou tão pequenino a partir do momento em que levaste a mãe.

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