6 de outubro de 2015


Não te conheço, mas vejo-te. Para lá daquilo que apenas me mostras. Tão sem noção, mas tão atenta. Tão longe, mas tão sentida. Não te conheço, mas vejo-te. Nas palavras tão assertivas e que não mandas ao ar. Nos sorrisos meio escondidos enquanto tentas passar por mim...através de mim. Não te conheço, nem um pouco. Mas o pouquinho que descobri em ti, tornou-se grande quando te olhei. Com os olhos que o coração manda. É isso que vejo em ti: um coração que vive sem querer ver dor e com a ânsia de a apagar, para sempre. Não podes. Não acaba. Mas com os olhos que tu vês o Mundo, eu posso dizer-te, és capaz de vê-lo muito melhor do que ele é. Com a aparência de que tudo pode acabar bem, mesmo quando não acaba. Com a esperança de que o amanhã vai ser diferente e será, porque tu és especial. E eu sei. E eu sinto-o. Porque te vejo. Porque vi poucas pessoas iguais a ti. Porque licenciaturas em psicologia não fazem sentido, quando nós mesmos não fazemos. Para darmos sentido aos outros, precisamos dar sentido primeiro a nós. E tu dás. A ti, a mim e aos outros. E mesmo que entre nós não se faça caminho algum e fiquemos só nas conversas pouco faladas e nos sorrisos de vergonha partilhados, eu ficarei feliz na mesma. Porque naquele momento eu vi-te. Com os meus olhos, que demasiadas vezes são iguais aos teus: os olhos do coração.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Fica em segredo, entre nós.