16 de abril de 2015


Aceita-se para não se sofrer. Para se deixar de pensar no que poderíamos ter sido. Ter feito. Onde poderíamos ter ido e onde ficamos. Aceita-se para não se ver ou então, para fingir que se deixou de ver. Aceita-se por falta de coragem. Da mudança. Da reviravolta. Dos contra-tempos. Da aventura. Do desconhecido. Do limite estabelecido. Aceita-se por não se ter força, mas tendo-se vontade. A força falta, a vontade nasce todos os dias em que a manhã chega. Aceita-se por não se saber por onde começar, por não se saber o que se vai encontrar. Aceita-se com o medo que a vida do lado de lá seja pior. As pessoas aceitam. O que lhes faz mal, quem lhes faz mal, o que não lhes acrescenta, o que só lhes retira. As pessoas aceitam. A mudança vem recheada de medo. As alturas trazem vertigens. As pessoas aceitam por se perderem; por não saberem mais de si, do que as moveu, do que as tornou no que são. As pessoas aceitam porque o cômodo é o mais fácil e porque não acreditam mais que os limões fazem uma bela limonada. As pessoas aceitam. Porque não vêm mais a luz de tanto a vida ter sido difícil. As pessoas não passam a ser desistentes; aprendem a ser fortes.

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