16 de dezembro de 2014

falar-te... em vão


Tu não tiraste tudo de mim; mas tiraste grande parte. E, grande parte de mim era tudo o que tinha aprendido contigo... e hoje eu não sei o porquê de ter começado a aprender quando tudo me parece errado. Eu sei que te cansaste, eu sei que o tempo cansa, eu sei que o tempo repetido cansa ainda mais... só que para mim não era assim. Só que para mim, nunca foi assim. Tu tiraste muito de mim, é verdade. É verdade que eu deixei a partir do momento em que te abri a porta. A partir do momento em que te mostrei quem era eu. A partir do momento em que te entreguei a minha vida - e hoje percebendo que sem querer -. Eu sei que os dias cansam. Eles cansam-me a mim também. E tu cansaste-te como se cansaram todas as outras pessoas... de estar aqui. Melhor, de ficar aqui... Estar e ficar são caminhos e decisões diferentes. Estar é agora e ficar implica sempre. Eu sei que te cansaste a partir do momento em que eu deixei de ser o que esperavas. Só que as pessoas nunca são o que estamos à espera, nem mesmo tu. E por isso é que tu tiraste quase tudo de mim. Por seres uma pessoa quase igual às outras pessoas que vão e levam, o que podem ou conseguem. Que vêm e querem ficar, mas rapidamente percebem que querem ir. Que vêm sem saber e vão por querer. E eu aceito... como aceito que és pessoa e como aceitei que todas as outras fossem. Porque na verdade, eu não poderia fazer muito... ou nada. Eu sei que te cansaste sem me dizer. Eu sei que te cansaste sem eu me aperceber. Eu nunca me apercebo muito das coisas porque eu nunca reparo muito nas coisas porque eu quero que tudo esteja sempre bem, quando tudo está mal. Eu sei que não queres dizer e, por eu não querer saber, eu não insisto, mas eu sei e por isso não posso fingir que não entendo que queres ir... Tu queres, só não sabes como e eu não sei como dizer-te para ires. Eu quero que tu vás, se tu quiseres. Porque o meu querer é que tu fiques, como dantes. Tu tiraste muito de mim, tu não sabes. Apesar de eu to dizer vezes sem fim, tu não levas a sério porque a maior parte das coisas que eu digo não se levam a sério, eu sei e é por isso que nunca me percebeste nem hás-de perceber. Eu não sei falar, eu sei escrever. Falar faz-me ficar vermelha e tímida e escrever acontece quando o meu coração fala. Não sou eu, é quando ele precisa tanto de falar... falar... falar... que escrevo. Eu sei que te cansaste porque tu fazes questão de mo mostrar em cada atitude tua que logo de seguida inventas uma desculpa para não me ver triste. Desculpa, mas desculpas magoam-me mais e é isso que tu não queres perceber. Desculpas não me deixam triste; deixam-me apavorada por perceber que tu não sabes como falar comigo. Fala... simplesmente fala... que queres ir... que já quiseste ficar, mas tudo mudou. Não fiques por ficar porque ninguém ama por amar. E enquanto ficas e vais, em dias que me deixas feliz e em outros dias que me tiras o chão, eu não sei tirar-te de mim... o pouco que deixaste comigo. Eu sei que te cansaste de mim e é por isso que eu não posso ir atrás de ti. É por isso que eu escrevo em vez de falar contigo. É por isso que eu não te procuro porque já não encontro mais a pessoa que conheci. Tu conheceste o pior de mim e dizias amar... Não Amaste. Quem Amar vai Ficar. Tu não Ficaste. 

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