6 de novembro de 2014


Tu és a pessoa que mais me ouve. Tu és a pessoa a quem eu mais demonstro o que está por trás do que sou. Tu és a pessoa que inconscientemente conhece de mim o que não planeio mostrar a mais ninguém. É momentâneo. Espontâneo. E realmente eu sei, que tu não sabes que és essa pessoa. E eu não quero que fiques a saber. Não é necessário. E podes nem querer ser essa pessoa. Só que hoje eu tenho de admitir que errei. Eu disse-te que sentia revolta, mas não é revolta que eu sinto. Eu não sinto revolta por viver rodeada de supostas assistentes sociais que tiraram o curso não sei onde, nem com que vocação. Eu não sinto revolta por não ser compreendida porque em tudo o que cresci, eu fui aprendendo sozinha. Eu não sinto revolta por não querer ser uma assistente social como elas são. Não é revolta e eu precipitei-me quando o disse. O que eu sinto é tristeza... porque dói aprender tanta teoria e chegar a casa e ser esbofeteada com uma prática que nada tem a ver. Tristeza porque o que eu poderia sentir, algum dia, se fosse como elas, era vergonha. Vergonha por me denominar assistente social e não praticar nada do que ser isso envolve. Eu preciso de substituir a revolta por tristeza. É triste pessoas assim puderem exercer uma profissão tão importante.

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