13 de agosto de 2014

Tentei dizer-te adeus, pela janela. Tentei chamar-te, gritar-te. Tu deverias ter-me ouvido. Tu não deverias ter ido embora. Sabes disso? Acho que não. Acho que, até hoje, não sabes decifrar-me e isso é tão assustador como o facto de achar que te conheci ou conheço, ou sei lá. Hoje ouvi a tua voz, as tuas palavras e as mesmas desculpas, que já as sei de cor. Sei que não me ouviste, porque o fazes sempre. Sempre estás mais ocupado no teu mundo do que com o teu mundo, que deveria ser eu. Sabes disso, não sabes, ou fingiste não saber? Sei que vais continuar a magoar-me com o teu silêncio e ausência, mas eu também sei - e tu também deverias saber - que o inverno chega e as janelas fecham-se. Fica do lado de fora tudo o que não quis ficar dentro ou então tudo o que nos fazia mal. Tu és a chuva. O frio. O nevoeiro. E tu sabes, desde sempre, que eu sou friorenta. Então.. Transforma-te num cobertor e vem a correr. O inverno está a chegar mas eu ainda estou à janela. 

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