9 de agosto de 2011

paz...



A paz bateu-me à porta e eu senti-me como se tivesses ido embora para sempre, como se me tivesses devolvido tudo o que me tinhas tirado. Senti-me não muito tua, mas não muito eu. Foi estranho. 
A paz bateu-me à porta e falou-me de mansinho, quase em silêncio. Pediu-me que a deixasse entrar, que a guardasse junto ao coração, que a acompanhasse nos tempos da tua eterna ausência. A minha voz não soou. Na verdade, não era capaz de guardar algo que sem ti não faria sentido. Não era capaz de quebrar a promessa da eternidade. Não fui capaz de gritar com o coração e dizer-lhe para te esquecer. Quis ir embora e fui. Fechei a porta e fechei-me de mim. Eu estava abalada de saudades. Eu estava tão cheia de esperanças mortas que a escuridão conseguia ser a minha luz. Eu estava tão morta para a vida e tão viva para ti.
A paz bateu-me à porta, eu abri. As lágrimas mostraram-lhe quem eu era e ela pediu-me que me desse a conhecer. Não soube responder mais nada, podes conhecer o que não sou. A paz gritou-me, deixou bem firme os teus passos de partida. A paz gritou-me, deixou-me bem no chão por não saber cuidar do meu coração. A paz gritou-me e foi-se embora. Enquanto partia, as palavras dela atacavam-me a mente, eu tentei avisar-te; ele pode não vir e eu posso não voltar. 
Não me importei. Não naquele dia. Eu precisava de mim a amar-te para saber viver. Eu precisava de mim a amar-te para me sentir viva.
Hoje, quando chorei e tu não vieste, quando chamei a paz e ela não voltou, abri a porta sem um sentido e junto ao coração que tu deixaste cair, estava um bilhete...

Ele pode não vir,
E eu posso não voltar.

Ele não veio,
E eu não voltarei.

2 comentários:

  1. está tão bonito , mesmo , sigo-te (:

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  2. Amor, ele pode não ter te respondido porque não tem SMS's ou dinheiro no telemóvel. Tem calma, não percas a esperança :)
    Eu estou mesmo a torcer para que vocês fiquem juntos! Muita força, linda.

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