17 de maio de 2011

E eu sorrio... e até sorrio melhor sem ti!

Aquela praia não era a do sonho, não era a ideal, mas sempre lhe trouxera a realidade. Aquelas ondas sempre a fizeram soluçar, a fúria que cada onda lançava sobre o areal, parecia-lhe as lágrimas a esmagarem o seu pedaço de coração... Aquela praia sempre fora o seu sossego, a sua esperança quando o fim a matava. Quem lá estava não era o mesmo de antes, não possuia o mesmo coração, nem lhe dizia as mesmas palavras. O Humano tinha mudado, mas ela não se importava, era a mesma praia, a mesma de sempre, a dela.

A última vez que lá tinha estado, o vento soprava-me sobre o cabelo, o brilho do sol sempre me tinha confortado, foi o embalar perfeito para um fim de tarde em que o pôr-do-sol nos encontrou. Deixamos momentos em vão junto ao mar, levaram-nos os passos de um amor vivido e quando fomos embora, eu deixei-me para tráz, fracassei-me para lá não voltar de mão dada contigo. Desisti, no momento em que prometeste dar-me a eternidade e eu sabia que era mentira.

As lágrimas lançaram-se-lhe sobre o rosto. Ela cobriu-o, sentia-se inútil por o caminho não estar a fazer sentido. A chuva entrelaçava-se com a sua dor e ela caminhava - sempre fraca - sobre a areia molhada. O céu estava coberto de nuvens, mas não a fez ter medo, quando o seu coração se encontrava num preto muito preto. Tirou da mala o diário, lançou ao mar as folhas que a fazia lembrar do amor falhado e as lágrimas começaram a limpar-lhe o coração. Sentia a alma apagada, mas sentia que tinha ainda muito para dar e ter do Mundo... - outro Humano lhe disse e ela acreditou.
Ela precisava de silêncio e ele respeitou-a, não ousou limpar-lhe as lágrimas, apenas a observava e entre medos e vergonhas, chegou-se perto do ouvido dela e sussurou-lhe: "és mesmo uma princesa" - sorriu-lhe e beijou-a na testa e as lágrimas dela soltaram-se como se já tivesse dado e perdido tudo. Abraçou-o, apertou-o e ele retribuiu. Antes, ela quase sufocava, agora, apenas soluçava. Queria dizer-lhe qualquer coisa, mas nada lhe saía. Precisava das palavras que a preenchiam, mas não foi capaz.
Deitou-se no seu colo, fechou os olhos e apenas mergulhou no som que a alma tinha focado. Lançou-se sem querer voltar atráz e nada disse. Enquanto as lágrimas lhe cobriam de novo o rosto, adormeceu num momento. Ela chamou-lhe «puro».
- Eu gosto de ti. Muito muito muito! E como amas girassóis, eu amo-te a ti... desde o instante em que por brincadeira disseste "estás no meu coração". Amo-te neste momento e em todos os que possam vir. Conta comigo.
- Deixa-me adormecer nos teus braços. Acorda-me depois.
Ele não deixou de a proteger. Não se cansou, não a deixou e hoje, continua a dizer-lhe "amo-te muito" todas as noites. Ela agradece, sempre, embora não sinta o mesmo... ainda. Ele compreende e ela sente-se feliz. (Re)encontrou o seu coração!

A última vez que tinha sentido um coração tão livre e tão novo como agora?
Não me lembro... mas, o que importa? Estou feliz.



3 comentários:

Fica em segredo, entre nós.